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24 de fevereiro de 2019




MONTEPEROBOLSO - ETNOGRAFIA 


Objectivo
O objectivo deste modesto trabalho é dar a conhecer a povoação do Monteperobolso, sua freguesia, seu concelho as suas gentes  e espaço geográfico em que se insere - Planalto da Beira Raiana, prolongamento da Meseta Ibérica

Símbolos Heráldicos


Brasão: escudo de ouro, dois brandões de vermelho, acesos do mesmo e realçados de prata, passados em aspa e dois feixes de três espigas de centeio de verde, tudo alinhado em roquete; em campanha, monte de verde, movente da ponta. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «MONTE PEROBOLÇO».

Bandeira: vermelha. Cordão e borlas de ouro e vermelho. Haste e lança de ouro.

Selo: nos termos da Lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Monte Perobolço - Almeida».



Nota:
É estranho que o nome do Monte esteja, nos seus símbolos heráldicos, com grafia incorrecta pois o nome que "sempre se conheceu e escreveu"  é  Monteperobolso
(Ver Acta da Assembleia Municipal de Almeida de 15 de Novembro de 2012)

Como também é estranho que as placas dos arruamentos do Monte venham coroados com brasão de 4 torres, símbolo de povoações com a categoria de vila e até aos dias de hoje ninguém quis corrigir.
Os erros aceitam-se e desculpam-se, já  o mesmo não diremos quando se é relapso
Coisas da vida difíceis de explicar tanto para o município como para a própria freguesia
Ora vejam



Localização

Concelho de Almeida - Divisão Administrativa

Concelho de Almeida - Sistema Rodoviário

Freguesias 
Freguesias de Almeida
FreguesiaPopulaçãoÁrea
(km²)[1]
Almeida1 31452,42
Amoreira, Parada e Cabreira38331,40
Azinhal, Peva e Valverde[10]32647,05
Castelo Bom21625,04
Castelo Mendo, Ade, Monteperobolso e Mesquitela26641,88
Freineda23829,24
Freixo18217,18
Junça e Naves19232,40
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova22342,42
Malhada Sorda33445,77
Malpartida e Vale de Coelha21529,01
Miuzela e Porto de Ovelha41528,87
Nave de Haver35841,13
São Pedro de Rio Seco18122,59
Vale da Mula18216,46
Vilar Formoso2 21915,14

Região - Beira Interior Norte Raiana - Extrema Leste 
Concelho - Almeida
Distrito - Guarda
Província - Beira Alta
Margem esquerda da Ribeira do Noémi (afluente do Rio Coa)
Coordenadas -  Latitude - 40,554 N; Longitude - 6,980 W
Altitude - 804 m
O Monte ergue-se à entrada de uma meseta que se vai formando por entre os contrafortes a norte da Serra da Malcata (1072 m), terras de Riba Coa e Riba Noemi,  até à Serra da Marofa (977 m)  a  Leste da Serra da Gata (Espanha-Leão)

Curiosidade - Marofa, etimologicamente virá de mor = maior;  + ofa = monte
Mas, segundo Adriano Vasco Rodrigues, historiador e arqueólogo natural da Guarda, a toponímia Marofa poderá ser de origem árabe e significa "a que indica o caminho"


Monteperobolso ... Topónimo 

Origem e significado muito complicado
É das povoações portugueses que mais grafias tem conhecido ao longo dos tempos

Monte Pero Bolso - aparece em registos paroquiais do século XVI e XVII
Momte Paraboloso  - (Pinho Leal) 
Monte de Pêro Bolso
Monteperobolço
Monte - simplesmente
Monteperobolso é a grafia oficial muito embora nos símbolos heráldicos se registe Monte Perobolço

Na vizinha Freguesia da Amoreira há uma outra povoação cujo topónimo também é  "monte" é a aldeia do Monte da Velha.

História breve: 

Monteperobolso ou mais simplesmente o Monte é uma aldeia da Beira Raiana povoada desde os tempos mais recuados.
Os dados mais antigos sobre estas regiões de riba Noémi e riba Coa são de 1500 a.C.. 
Por aqui passaram celtas, lusitanos, romanos, visigodos, sarracenos e cristãos, e há reminiscências da presença de judeus. 

No período da Reconquista, o território das terras de Riba Coa pertenciam ao termo de Ciudad Rodrigo (Reino de Leão) tendo sido integradas na coroa portuguesa, já no reinado de D. Dinis com o célebre Tratado de Alcanizes em 1297, celebrado entre D. Dinis, de Portugal e D. Fernando IV, de Leão e que, para além da fixação da raia, (tratado fronteiriço mais antigo da Europa ainda hoje vigente) acordou o casamento de D. Constança (filha de D. Dinis e da Rainha Santa Isabel) com D. Fernando IV de Castela, e do príncipe D. Afonso (futuro D. Afonso IV), com a irmã do rei castelhano, D. Beatriz.
Desde o séc. XIII que as freguesias de Azinhal, Peva, Freixo, Mesquitela, Monteperobolso, Ade, Cabreira, Amoreira, Leomil, Mido, Senouras, Aldeia Nova, Parada, Porto Ovelha e Miuzela pertenciam ao concelho de Castelo Mendo (extinto em 1855). 
1855 Nesta data foram anexadas pelo concelho do Sabugal que, poucos anos mais tarde, 
1870 passaram a integrar o concelho de Almeida. 

A freguesia do Monte faz fronteira com: Porto de Ovelha (S), Parada (SO), Mesquitela (N), Castelo Mendo (W), Amoreira (NO) e Ade (E). 

A freguesia, foi extinta na reforma administrativa de 2013, e, desde essa data integra a Associação de Freguesias de Castelo Mendo, Mesquitela, Ade e Monteperobolso.

Estrada Nacional 324 Pinhel / Sabugal no cruzamento do Alto do Talefe 

Entre o Monte e a Ade ergue-se a capela de Santa Bárbara comum às duas freguesias.

Em termos eclesiásticos o Monteperobolso começou por pertencer ao Bispado de Ciudad Rodrigo, e sucessivamente ao de Lamego e Pinhel. 
Actualmente pertence à Diocese da Guarda. 
O Monte tem como orago São Brás.


Regresso às origens

Em termos administrativos o Monte já fez parte de três concelhos 
1 - Castelo Mendo de 1229 a 1855 (1)(2)
2 - Sabugal de 1855 a  1870 
3 - Almeida de Dezembro de 1870 até hoje (3)

Parece-me que fica explicado o título do post
Em 2013 com a Reforma Administrativa, 28 de Janeiro de 2013,  o Monte volta a ficar ligado a Castelo Mendo com a criação da Associação de Freguesias 
Monteperobolso, Ade, Mesquitela e Castelo Mendo.
(Com a sede da Associação no Monte)




(1) - 24 de Outubro de 1855
(2) - O Concelho de Castelo Mendo era constituído pelas freguesias de Ade, Aldeia Nova, Amoreira, Azinhal, Cabreira, Castelo Mendo, Cerdeira, Freixo, Leomil, Mesquitela, Mido, Miuzela, Monteperobolso, Parada, Peva, Porto de Ovelha e Senouras
(3) Reforma Administrativa de Mouzinho da Silveira, em 1836 que divide o território em: Províncias, Comarcas e Concelhos. Foram criados 17 Distritos e o número de Concelhos foi reduzido para 351, eliminando 465 - decreto de 6 de Novembro de 1836.

O vizinho Concelho Medieval de Castelo Bom foi abolido nas reformas administrativas liberais em 1834, tendo sido  anexado  ao  concelho  de  Almeida,  conjuntamente  com  as seguintes freguesias:  Freineda, Naves, São Pedro do Rio Seco e Vilar Formoso.



Património Religioso

Igreja matriz de invocação a São Brás; Capela de Santa Bárbara; Capela de São Brás; Passo do Senhor dos Aflitos.






O Planalto da Beira Raiana 

No curso final da Ribeira do Noémi as margens direita e esquerda elevam-se em arribas para ambos os lados até chegarem ao rio Coa.


Na encosta da margem direita a linha do caminho de Ferro da Beira Alta namora a Ribeira do Noémi desde a Guarda e acompanha a ribeir ao longo dos 30 e tal kilómetros pelo Vale do Noémi  até o comboio acompanha o Noémi até à Ponte sobre o Coa.





O Monte ergue-se no cimo de uma destas encostas, na margem esquerda.
Fica bem lá no alto, à porta do imenso planaito granítico da Beira Raiana e até ao Douro, só interrompido pela Serra da Marofa (976 m) e cumeadas dos cabeços circundantes.
Na chamada Rasa, ainda recordo de se falar na aterragem de aviões durante a II Guerra Mundial
Novo tipo de rochas surgem agora, são os xistos e que na bacia com o Rio Douro nos vão oferecer as já célebres gravuras rupestres de Foz Coa

Paisagem surpreendente e imensa desde Serra da Malcata, a Sul, passando pelo Sabugal até encontrar a Norte as povoações medievais de Casteko Mendo, Almeida, Pinhel, Castelo Rodrigo para depois serpentar a Serra da Marofa e oferecer as suas águas ao Douro.



Castelo Mendo
Cerca de Castelo Mendo com os dois berrões à entrada





Castro Mendo é a designação que consta do documento mais antigo (1202) referente a Castelo Mendo. 
Apesar do local ter conhecido ocupação desde a Idade do Bronze e mostrar vestígios da presença romana, a estrutura fortificada e o modelo urbanístico caracterizadores de Castelo Mendo, são uma criação medieval concebida para enfrentar as necessidades impostas pela Reconquista Cristã nos séculos XII e XIII e promover o repovoamento dos territórios muçulmanos anexados ao reino português e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos cristãos de Leão e Castela na região de Riba-Côa. 

Castelo Mendo recebeu a sua primeira carta de foral em 1186, outorgada por D. Sancho I, quando o monarca ordenou a reedificação do seu castelo, um importante ponto na linha de defesa das fronteiras nas terras de Riba-Côa e foi concelho de fundação medieval, com novo foral concedido em 1229 por D. Sancho II, estatuto que perdeu com a reforma administrativa liberal em 1855.

Em 1295, D. Dinis outorga-lhe  Carta de Feira e novo Foral.
A Feira de Castelo Mendo é das mais antigas da região (1281, 18 de Dezembro, D. Dinis).

A partir do séc. XIV, estabilizada a fronteira com o Tratado de Alcanizes em 1297, Castelo Mendo continuará a integrar a rede de fortificações que defendem a raia beirã. Este sistema defensivo medieval só perde a sua eficácia militar com o século XVII, período que vê surgir as fortificações modernas.

Castelo Mendo - Livro das Fortalezas de Duarte de Armas (1509-1510) Dom Manuel I

Dois núcleos muralhados, de épocas construtivas diferentes, configuram Castelo Mendo.
No cimo do cabeço rochoso, dominando a paisagem envolvente, situa-se o Castelo com dois recintos distintos. O aglomerado civil desenhado em torno da Igreja de Nossa Senhora do Castelo dividido do pólo exclusivamente militar, localizado a Este, no ponto mais elevado, onde antes se erguia a Torre de Menagem.
Com o crescimento da povoação, o primitivo núcleo, supõe-se que mandado edificar por D. Sancho I ou D. Sancho II, é aumentado com nova cintura de muralhas a rodear o núcleo da vila. reinado de D. Dinis (fim do séc. XIII).
Todavia, quando o Tratado de Alcanizes estabeleceu em definitivo as fronteiras do reino e a povoação foi perdendo a sua importância defensiva-militar.

Pela encosta se estendeu a Vila, nela se organizando a vida da população abraçada pelos muros.
Espaço fechado, comunica com o exterior por portas abertas a Norte, Poente e Nascente com acessos reforçados por torres. 
A Igreja, reguladora dos comportamentos, acompanha os edifícios públicos, símbolos do poder político e da ordem civil: Casa da Câmara e Cadeia e Pelourinho. É também neste espaço privilegiado que as famílias localmente mais consideradas ergueram a sua casa.

Mas as populações que viviam dentro das muralhas dependiam quotidianamente do exterior. Aqui se situavam os campos cultivados e as terras de pastagens. Na devesa encontravam-se as fontes de água, de mergulho e todas datando do séc. XIII/XIV, como as Fontes Nova e Velha, e Estrufa, além do Chafariz remodelado posteriormente. 
Fora das muralhas tinham ainda lugar acontecimentos mais ocasionais: a realização da feira (Alpendre), com uma tradição que remonta ao séc. XIII, sendo das primeiras do reino; ou celebrações associadas ao culto católico (Calvário). 

Castelo Mendo - Pelourinho - Um dos mais altos de toda a Beira 

Classificado como pelourinho de gaiola, o pelourinho de Castelo Mendo assenta numa plataforma de seis degraus octogonais, sobre a qual assenta coluna de fuste octogonal, com base decorada por folhas estilizadas. O capitel, de secção circular em forma de cone invertido, funciona como base da gaiola, e possui anéis decorados por diversos motivos, nomeadamente correntes, cabos, denteados invertidos e florões. O conjunto da gaiola é composto por chapéu, assente em colunelo torso, decorado por pérolas. O colunelo central é circundado por seis colunelos torsos e anelados, sustentados por grampos de ferro. Como remate da gaiola foi colocado chapéu cónico, decorado por cordame na zona inferior. É encimado por cone, de menores dimensões, coroado por catavento em forma de bandeirola bipartida. 
Catarina Oliveira

Castelo Mendo foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984.

11 de março de 2015


O Monte - Rua Direita


----- O Monte visto do céu
Para ver com mais pormenores calcar em "Ver mapa maior"



Monteperobolso . Rua Direita - Nocturno visto do campanário


6 de agosto de 2008

Festa de Santa Bárbara

PROCISSÃO SANTA BÁRBARA  (2008)

Procissão de Santa Bárbara (saída da Igreja Matriz)




Cruzeiro da Capela de Santa Bárbara 


Esta tradicional festa realiza-se na segunda semana de Agosto.
Dia 8, 9 e 10 o Monte vai estar cheio e transbordar de alegria e entusiasmo com as suas festas tradicionais que se realizam de 2 em 2 anos. em alternância com o povo da Ade
Anos  pares Festa do Monte
Anos ímpares Festa da Ade

Procissão de Santa Bárbara  (chegada à Capela)


São Brás

Para a Comissão de Festas e todos os seus mordomos uma palavra de muito apreço pelo entusiasmo que, como sempre,  puseram na sua organização

21 de julho de 2007

I ENCONTRO DA FAMÍLIA RIBEIRO

18 de Agosto 2007

PROGRAMA

10H45 - Concentração junto à Igreja Matriz
11H30 - Missa por todos os familiares já falecidos e Acção de Graças pelos dons que nos transmitiram
12H30 Visita de saudade à campa dos avós e familiares já falecidos
13H00 Almoço / Convívio - Restaurante "O Túnel" Alto de Leomil.

1 de julho de 2007

Família Martins Ribeiro

José Martins Ribeiro (Séc. XIX)
Izabel Maria (Séc. XIX)

José Martins Ribeiro natural da freguesia do Monteperobolso, concelho de Almeida, distrito da Guarda;
e Izabel Maria natural de Cairrão, concelho da Guarda